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Terremoto em SP e a velocidade da informação

Terça-feira, Abril 22nd, 2008

Muito mais assustador do que a notícia de um terremoto em São Paulo foi a velocidade com que as coisas se alastraram na internet. Menos de uma hora após o acontecimento, a quantidade de informação e conteúdo produzido para o acontecido foi incrível.

Talvez pelo fator novidade, ou pelo efeito “meu Deus, temos terremoto, agora somos primeiro mundo”, mas foi surpreendente a velocidade com que alguns geeks produziram conteúdo elaborado, como a camiseta “#terremotosp. Eu sobrevivi“, ou a “#terremotosp, EU FUI!!!” ou a quantidade de membros na comunidade “TERREMOTO EM SP - EU FUI! ™” que às 10:15 já tinha mais de 200 membros.

Camiseta #terremotosp. Eu fui!

O que vale aqui é ter noção de quão rápido um evento desse tamanho pode se alastrar por meio da produção espontânea de conteúdo. Confesso que estou orgulhoso da massa blogueira pela sagacidade na apropriação do acontecimento.

Proxxima para quem não foi

Quinta-feira, Março 13th, 2008

Proxxima para quem não foi

Pois é pessoal, o Proxxima chegou ao fim, mas as discussões, acho que só começaram. Muitos dos painéis foram bacanas, outros choveram no molhado, alguns anunciaram o apocalipse, outros enfatizaram o admirável mundo novo, mas o que ficou pra contar foi o seguinte:
Twitei como um louco, portanto quem quiser ler uma retrospectiva do que eu estava pensando no momento em que assistia às palestras basta acessar o meu twitter. Se você é um cara muito paciente, mas muito mesmo, vale também acompanhar o que foi dito por todos que estavam por lá e twitaram usando a tag #proxxima, e tudo que foi dito na paródia #anteriorr também.

Indiscutivelmente o painel que mais gostei foi o último de quarta-feira sobre Punk Marketing. Parecia uma reunião com um bom diretor de criação incentivando a criatividade. Foi quase uma palestra motivacional de como pensar e agir diferente, e os benefícios que isso acarreta. Richard Laemer fala bem, com uma dinâmica legal, com empolgação e clareza, o que acredito que tenha colaborado para que alguns clientes cogitassem a hipótese de pensar um pouquinho mais fora da caixa.

O painel mais polêmico, e que acredito que ainda vai render muitas blogadas por aí, foi é claro, “O fenômeno dos blogs - Chegou a hora de virar mídia?”. Foram criadas mais dúvidas do que respostas, os blogueiros mostraram uma heterogeneidade de opiniões muito grande, e deixaram claro que como “homens de negócios” estão completamente despreparados para receber publicidade, seja ela paga ou não.

O problema maior aqui é a não distinção entre blogueiro e homem de negócios. Um bom jornalista não precisa saber negociar mídia, nem planejar uma estratégia de viralização, nem ter idéias para formatos inovadores, mas ele precisa saber para qual público está falando e qual a melhor linguagem a ser utilizada.
Na tentativa de transformar Blogs em mídia, o especialista no assunto tratado, é obrigado a se transformar num negociador, a coisa perde o foco, e blogueiro sai se vendendo por uma George Formam Grill, e prostituindo por pouco, muito pouco, toda uma classe de pessoas bem intencionadas.

Outro grande erro na transformação dos blogs em mídia é o formato adotado. O blog é a voz de uma pessoa, que fala com milhares de outras, colocar palavras na boca dessa pessoa é como pedir pro seu amigo chavecar a gostosa da balada por você, a coisa fica fake, soa vazia como o Faustão anunciando empréstimo pessoal da Fininvest durante o programa. É complicado imaginar como usar os Blogs como mídia, por que o formato utilizado para essa comunicação não é adaptado ao meio, destoando daquilo que é proposto, passando a falsa impressão de que comunicar de maneira convencional num meio não tradicional já é uma forma de inovação.

Blog é sim uma mídia, dentre tantas outras presentes em redes sociais, que devem ser exploradas levando em considerações suas peculiaridades e os públicos interessados. Os blogueiros em sua maioria não conseguem entender que eles são uma pequena parcela de tudo aquilo que é possível ser feito em redes sociais, e acreditam que um dia vão substituir a mídia convencional, como se eles fossem a resposta pra todos os males da comunicação digital. Um mix de comunicação descente deve envolver os Blogs, é claro, mas não se resumir a eles, assim como não é possível hoje fazer uma campanha apenas usando guerrilha, sem que esta seja aliada a uma boa assessoria de imprensa, e um belo vídeo no YouTube.

Pra finalizar gostaria de deixar aqui o recado para os blogueiros: se vocês pretendem tornarem-se uma mídia relevante aprendam sobre publicidade, planejamento estratégico e administração, e parem de olhar apenas para os próprios umbigos e seus rankings no BlogBlogs. Vocês estão se alienando, acreditando num mundo de fantasia que só existe para vocês e repetindo os mesmos erros que a grande mídia comete. Nós publicitários respeitamos a sua capacidade de interagir com seus públicos específicos, respeitem a nossa de entender como interagir entre cliente e veículo, pois é o que fazemos para viver.

E uma dica, se você quer fazer dinheiro com seu blog, venda o KnowHow sobre o público do seu blog, seja um consultor, mas não venda o seu blog, pois com isso você vende o seu caráter junto.

Para saber mais opiniões leia:
Mais do mesmo por Jeff Paiva
O Fenômeno dos Blogs no Blog de Guerrilha

Evento “Negócios Bancários no Second Life”

Quinta-feira, Novembro 22nd, 2007

Vou fazer um resumo do que rolou, por que como no geral foi muito superficial não tenho muitoque falar.

Marcos Caetano do Unibanco começa o evento falando sobre qual o objetivo do Unibanco ao entrar no SL afirmando que não havia maior objetivo do que “estar lá” para continuar alinhado com a postura do banco de pioneirismo, assim como no serviço de banco por telefone no 30 horas etc. Frizou que o investimento para uma ação como essa (dezenas de milhares de reais, como ele mesmo disse) é irrisório para uma empresa do porte do Unibanco e o potencial latente da ferramenta é muito maior do este valor, considerando que se tem mais prejuízo não apostando em novos canais do que, investindo e não tendo retorno, citou o que teria acontecido se tivesse desistido do banco 30 horas quando disseram, “mas niguem usa banco por telefone”. Do mais a palestra não passou de um incentivo ao “me too” em novas mídias, com um certo embasamento. Um ponto de discordância entre o discurso e a realidade foi o comentário “o celular será um ponto de convergência de comunicação, com internet, filmes, e-mail, etc”, isso enquanto eu twittava sobre a palestra dele, aí pensei com meus botões, acho que ele está um pouco desinformado usando a palavra “será, ou ele acha que estou usando uma versão Beta do N95?

Na sequência Elaine Coimbra da Foster começou a sua apresentação perguntando quem era residente do SL, o único que levantou a mão fui eu. Aí a minha impressão de que eu estava no lugar errado se confirmou. Eu já estava desconfiado por ser o único homem que não estava de terno :). A apresentação dela foi bem confusa, com gaguejos a rodo, fecha PPT mostra Vídeo, abre PPT de novo, num esquema bem mambembe que deu pouca credibilidade, ao meu ver. Depois começou com cases como o do U2, Anshe Chung, Adidas e afins, nada novo, pelo menos pra mim, mas quem estava lá parecia ver isso pela primeira vez.

Coffee, com uns lanchinhos de presunto parma, vários docinhos apetitosos e morangos frescos com chocolate, que até aquele momento tinha sido a melhor parte do evento.

Começa a palestra do Gil Giardelli da Permission, que começou bem com algumas conclusões mais contundentes sobre o SL, dizendo que tudo lá era vazio, que o show do U2 é um case do SL mas tinham 12 pessoas lá e que a impressão de todos que entram é de que é um lugar abandonado, e não está nada errado. Pra mim a melhor participação do evento, que apesar de ter desencorajado alguma empresas a entrar no SL, ensinou que se vai entrar entra direito, que entrar por entrar é jogar dinheiro no mato. Fechou com o vídeo “Prometeus” (abaixo), que apesar de repeteco ainda gosto muito.

O engraçado é perceber que no geral a grande maioria das pessoas envolvidas com internet nos clientes é completamente desinformada sobre a mesma. Um cidadão (do Bradesco) falou que ouviu muito falardessa web 2.0 mas ainda não viu diferença nenhuma na internet dele. Ou seja, as pessoas que estavam num evento de Second Life, mal compreendem o conceito de Web 2.0, o que mostra o gigantesco abismo que separa a teoria da prática nesses casos. O maior passo a tomar em relação aos clientes nesse momento de mudanças bruscas é a catequese. Colocar cliente em evento como o Intercom, fazê-lo ler sobre novas tecnologias, novas mídias, web 2.0. Ou seja, fazê-lo entender do que você está falando com um empurrãozinho, é claro.